Gleeden tem 1,1 milhão de usuários somente no Brasil – boa parte, formada por mulheres com alguma insatisfação no relacionamento
São Paulo, agosto de 2024 – “Sou casada há 20 anos, amo meu marido, somos parceiros, melhores amigos e temos uma filha adolescente”, conta Carmen (nome fictício), de 49 anos. “De um tempo para cá, têm nos faltado sintonia sexual e desejo. Nunca pretendi me divorciar, mas abrir mão do sexo foi me adoecendo ao longo dos anos. Fiquei deprimida, desisti da vida. Então, percebi que precisava me sentir desejada, voltar a sentir o corpo, os beijos e o prazer de um encontro real”, acrescenta ela, que é usuária da plataforma de encontros não monogâmicos Gleeden.
Boa parte da população pode até não ter ouvido falar, mas a plataforma já acumula quase 12 milhões de usuários ao redor do mundo – 1,1 milhão apenas aqui, no Brasil. “Somos o site e o app número 1 do mundo em encontros entre pessoas não monogâmicas”, explica a diretora de comunicação e marketing do Gleeden, Silvia Rúbies. “Certamente, os nossos números são um reflexo da sociedade, que, embora ainda bastante conservadora e patriarcal, passou a entender que a monogamia já não é mais o único modelo de relacionamento”.
Assim como Carmen, muitos usuários da plataforma mantêm uma relação oficial, seja casamento ou namoro. “Fiz terapia de casal, tântrica, recorri à espiritualidade, mas nada resolveu. Tentei abrir o relacionamento, mas a limitação do meu marido (ou egoísmo, machismo, controle?) não permitiu. Não quero magoá-lo, mas preciso viver. Não é justo comigo abrir mão da sexualidade”, afirma ela.
A usuária do Gleeden detalha que encontrar pessoas que estavam na mesma situação que ela a reconectou com seu lado mulher e, inclusive, trouxe benefícios diretos ao casamento. “Além do meu processo individual de terapia, o Gleeden me ajudou a aceitar o meu marido como ele é, e isso melhorou nossa relação. Meu corpo acordou em vários aspectos. Voltar a ter orgasmos, experimentar novas sensações, tem sido incrível. Esses encontros me trouxeram desejo, boas interações, histórias e, claro, também um sexo muito bom”.
Aventura, mas com sigilo e segurança
Em uma pesquisa recente realizada pelo Gleeden, 28% das mulheres brasileiras apontaram que traem seus parceiros por “falta de atenção”, enquanto outras 32% dizem que é “para se sentir sexy novamente”. “Isso acontece porque a maioria das usuárias da plataforma não recebe carinho e/ou atenção dos parceiros, que estão acomodados com a situação e deixam o tempo passar. Os relacionamentos esfriam mesmo, o que gera desconforto e faz com que elas busquem por novas aventuras, sem deixar de amar e respeitar quem está diariamente ao lado delas”, pontua Silvia.
Não existe um consenso sobre como serão as relações amorosas em um futuro próximo. Entretanto, não são poucos os indícios de que a não monogamia veio mesmo para ficar. Cada vez mais, nos deparamos com notícias sobre casos extraconjugais ou sobre casais adeptos, por exemplo, do poliamor e do swing, que encontram nessas práticas o prazer sexual e, muitas vezes, até novos motivos para serem felizes no relacionamento como um todo.
Silvia Rúbies destaca que o crescimento do Gleeden mostra que as pessoas passaram a buscar por segurança e discrição nas aventuras fora do relacionamento. “Um dos principais objetivos da nossa plataforma é atender de maneira segura às expectativas e aos desejos dos homens e, sobretudo, das mulheres. Afinal, a liberdade amorosa ainda é encarada como tabu quando envolve o público feminino”.
E Carmen concorda: “tenho vivido bons momentos, sempre com muito respeito, sigilo e paixão. O Gleeden tem uma segurança para as mulheres, pois seleciona o tipo de interação que temos. Pretendo continuar vivendo momentos especiais com pessoas interessantes pelo tempo que for possível”, finaliza.