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Gleeden divulga “O Mapa da Não Monogamia Brasil”, que entrevistou mais de mil pessoas sobre o tema.

  • 23 novembro 2023
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Pesquisa promovida pela plataforma Gleeden revela que, na teoria, os brasileiros apoiam as relações não monogâmicas, mas, na prática, preferem a infidelidades

Maior plataforma de encontros não monogâmicos do mundo, o Gleeden acaba de divulgar “O Mapa da Não Monogamia no Brasil”, que ouviu 1.036 brasileiros de diversos estados civis, idades e localidades, entre 23 de outubro e 1° de novembro deste ano. O objetivo da pesquisa é entender se as pessoas sabem, de fato, o que são as relações não monogâmicas, como as enxergam, quais os tabus em torno do tema e quais as diferenças em relação à infidelidade.

Logo de cara, os entrevistados foram perguntados se sabem definir os diferentes tipos de relação. E as respostas foram as seguintes: 50% dizem conhecer o poliamor; 56% conhecem os relacionamentos não monogâmicos; e 57% alegam conhecer o swing.

Quando questionados se já estiveram em um relacionamento não monogâmico, a grande maioria (81%) disse que “não, nunca”, ao passo em que 17% admitem que “já viveram uma relação desse tipo”. Mas será que eles gostariam de viver uma relação desse tipo? apenas 14% “sim, gostariam com certeza”.

Para a pergunta sobre o que impede as pessoas de colocar em prática a não monogamia, 30% “não querem que o(a) parceiro(a) fique com mais ninguém; 20% acham “que não é socialmente correto”; 12% “têm medo de perder o(a) parceiro(a); e 10% “porque o(a) parceiro(a) não quer”. Ou seja, tudo por motivos alheios aos seus desejos.

“As pessoas pensam que sabem o que são relacionamentos não monogâmicos, mas, na realidade, há muita confusão, desconhecimento e preconceitos. Por isso, precisamos falar mais sobre eles”, afirma Luciane Cabral, sexóloga do Gleeden no Brasil. “Na nossa cultura, assumir ou se identificar com uma relação não monogâmica não é nada fácil, não é algo praticável. Temos muitos tabus para desconstruir, inclusive sobre práticas sexuais não monogâmicas – e não necessariamente sobre relações afetivas”, acrescenta.

Não monogamia fiel ou monogamia infiel?

Uma informação fornecida pelo “Mapa da Não Monogamia no Brasil” e que chama bastante a atenção é que 51% dos entrevistados dizem que “prefeririam viver a não monogamia”, enquanto apenas 13% “prefeririam ser monogâmicos e infiéis.”

Para os brasileiros, a infidelidade pode ser melhor que a não monogamia porque “a pessoa não quer que seu parceiro fique com mais ninguém” (44%); “é melhor que ninguém saiba que o seu parceiro se relaciona com outras pessoas” (30%); “têm medo de perder o companheiro” (24%); e porque “seu parceiro não quer ter um relacionamento não monogâmico” (13%).

Mais da metade dos entrevistados têm uma boa opinião sobre relações não monogâmicas, já que apenas 20% “não gostam e não concordam com este tipo de relação”.

Porém, ao falar sobre infidelidade, 63% dos brasileiros dizem que “não gostam e não concordam com esse tipo de atitude”. E isso está mais do que confirmado com uma outra resposta: apenas 23% admitem que “já foram infiéis enquanto estavam numa relação monogâmica”, mas 89% dizem que “conhecem alguém que já foi infiel”.

“Há muito medo de assumir relações não monogâmicas, ao mesmo tempo que vemos muitas relações extraconjugais. Relacionamentos não monogâmicos são frequentemente confundidos com infidelidade. E, embora em teoria se acredite que é melhor estar numa relação não monogâmica, na prática as pessoas preferem ser infiéis”, afirma Luciane Cabral.

A especialista explica que a maioria dos brasileiros, por pudores sociais, culturais ou possessividade, acaba ignorando os próprios desejos sexuais. “Este estudo do Gleeden nos ajuda a concluir que nossa sociedade parece ainda não estar preparada para uma mentalidade mais aberta nas relações afetivo-sexuais. Embora não possam explorar seus desejos sexuais em relacionamentos monogâmicos, por cultura, religião, crença ou tabu, as pessoas buscam essa satisfação ‘fora de casa’, sem o consentimento do parceiro”, finaliza a sexóloga de Gleeden no Brasil.

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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